SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO · PORTUGAL

A prevenção tem
um lado humano.

Um espaço para conhecer as leis, compreender os riscos e cuidar de quem trabalha. Com informação organizada, casos práticos e desafios para aprender a decidir com fundamento.

Valquíria RibeiroO meu caderno de Segurança e Saúde no Trabalho
Conhecer para cuidar.Ilustração de um capacete, óculos de proteção, caderno e planta, símbolos de prevenção e cuidado.
Prevenção, aprendizagem e cuidado.
COMEÇAR PELA BASELei 102/200910 de setembro · Direitos, deveres e prevenção
NOVO / APRENDER, CALCULAR, JUSTIFICAR

O teu conhecimento aguenta o desafio?

75 perguntas, 25 matérias do curso e quatro laboratórios: matriz de risco, NTP 330, ruído e vibrações. Treino com correção, simulado e legislação nas fontes oficiais.

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01 / A BASE LEGAL

Uma lei. Muitas formas de proteger.

Consultar no Diário da República

A Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, estabelece o regime jurídico da promoção da Segurança e Saúde no Trabalho. Enquadra a prevenção dos riscos profissionais e a organização dos serviços de SST.

ARTIGO 15.º / OBRIGAÇÕES DO EMPREGADOR

A responsabilidade começa na organização.

O empregador deve assegurar condições de segurança e saúde em todos os aspetos do trabalho. A prevenção exige ação contínua, adequada às tarefas e às pessoas.

  • Avaliar os riscos e combatê-los na origem.
  • Dar prioridade à proteção coletiva.
  • Adaptar o trabalho e fornecer instruções claras.
  • Organizar a emergência e a vigilância da saúde.
  • Suportar os custos da prevenção, sem encargos para o trabalhador.
  • Manter a responsabilidade, mesmo com serviços externos de SST.
Ler o artigo 15.º

02 / DA LEI À PRÁTICA

Prevenir antes de proteger.

A melhor medida atua na origem do risco.
A proteção individual é a última barreira.

O POTENCIAL DE DANO

Perigo

Uma característica de um equipamento, agente ou atividade que pode causar dano.

A EXPOSIÇÃO AO PERIGO

Risco

A possibilidade de esse dano acontecer, nas condições concretas de trabalho.

Um exemplo simples. Uma lâmina em movimento é um perigo. O risco de corte depende do acesso à lâmina, da tarefa e das proteções existentes.

Conceitos: artigo 4.º da Lei n.º 102/2009.
Na avaliação, considere a probabilidade e a gravidade dos danos.

01

Eliminar ou substituir

Evitar o trabalho perigoso ou escolher uma solução menos perigosa.

02

Proteger coletivamente

Instalar resguardos, guarda-corpos ou captação na origem.

03

Organizar e formar

Planear tarefas, limitar exposições e definir procedimentos claros.

04

Usar proteção individual adequada

Selecionar EPI para o risco residual e garantir ajuste, uso e manutenção.

Sequência prática baseada nos princípios do artigo 15.º. As medidas podem combinar-se.

A avaliação de riscos é um processo contínuo.

Reveja-a quando mudam tarefas, equipamentos ou condições e após acidentes ou incidentes relevantes.

  1. 01

    Identificar

    Observar as tarefas e ouvir quem as executa.

  2. 02

    Avaliar

    Analisar a exposição e os danos possíveis.

  3. 03

    Decidir

    Priorizar medidas na origem do risco.

  4. 04

    Aplicar

    Definir responsáveis e prazos.

  5. 05

    Verificar

    Confirmar a eficácia e corrigir falhas.

03 / RECONHECER PARA AGIR

Os riscos não são todos iguais.

Selecione um tema para conhecer exemplos
e medidas de prevenção.

Máquinas e movimento.

Cortes, esmagamento, aprisionamento ou projeção de materiais. Podem surgir na utilização, limpeza e manutenção de equipamentos.

Medidas a considerar

  • Usar equipamentos adequados e manter os resguardos operacionais.
  • Isolar as fontes de energia e prevenir o arranque antes de intervenções.
  • Assegurar verificações, manutenção e formação para a tarefa.
  • Separar a circulação de pessoas e de equipamentos móveis.
Equipamentos de trabalho · Decreto-Lei n.º 50/2005

Exemplos de medidas a adaptar à avaliação de riscos. Uma mesma tarefa pode envolver vários tipos de risco.

04 / ALARGAR A CONSULTA

A legislação, no seu lugar.

Pesquise por assunto ou número.
Escolha um tema para afinar a consulta.

16 referências de legislação

LEI DE REFERÊNCIA

Lei n.º 102/2009

10 de setembro

Regime da promoção da Segurança e Saúde no Trabalho. Enquadra a prevenção, os deveres das partes e a organização dos serviços de SST.

Consultar redação consolidada
DIREITOS E DEVERES

Código do Trabalho

Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro

Direitos e deveres laborais e prevenção e reparação de acidentes e doenças profissionais. Consulte também as regras sobre assédio e condições de trabalho.

Consultar redação consolidada
ACIDENTES E DOENÇAS PROFISSIONAIS

Lei n.º 98/2009

4 de setembro

Regula a reparação de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, incluindo a reabilitação e reintegração. Complementa o enquadramento da prevenção.

Consultar diploma e alterações
PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA

Lei n.º 42/2012

28 de agosto

Regula o acesso e o exercício das profissões de técnico e técnico superior de segurança no trabalho, incluindo requisitos e deveres profissionais.

Consultar diploma e alterações
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Lei n.º 79/2019

2 de setembro

Estabelece as formas de aplicação do regime de SST aos órgãos e serviços da Administração Pública, com as especificidades previstas para os empregadores públicos.

Consultar diploma e alterações
MÁQUINAS E TRABALHO EM ALTURA

Decreto-Lei n.º 50/2005

25 de fevereiro

Prescrições mínimas para utilização de equipamentos de trabalho: verificações, equipamentos móveis e trabalhos temporários em altura. Apoia a prevenção na utilização e manutenção.

Consultar diploma e alterações
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

Decreto-Lei n.º 348/93

1 de outubro

Regras de utilização de EPI, adequação aos riscos e deveres das partes. A Portaria n.º 988/93, de 6 de outubro, complementa a seleção de equipamentos.

AGENTES QUÍMICOS

Decreto-Lei n.º 24/2012

6 de fevereiro

Proteção dos trabalhadores expostos a agentes químicos: avaliação, prevenção e controlo da exposição. Consulte os valores limite e as atualizações na redação consolidada.

Consultar redação consolidada
AGENTES BIOLÓGICOS

Decreto-Lei n.º 84/97

16 de abril

Proteção perante exposição a agentes biológicos. A redação atual inclui alterações do Decreto-Lei n.º 102-A/2020. Exige avaliação adequada às atividades e às vias de exposição.

Consultar redação consolidada
EXPOSIÇÃO AO RUÍDO

Decreto-Lei n.º 182/2006

6 de setembro

Avaliação e prevenção dos riscos de exposição ao ruído. Inclui valores de ação e limite, informação, formação e vigilância da saúde nas condições previstas.

Consultar diploma e alterações
MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS

Decreto-Lei n.º 330/93

25 de setembro

Prevenção dos riscos na movimentação manual de cargas, em especial para a região dorsolombar. Prioriza evitar a movimentação manual e reduzir os riscos quando necessária.

Consultar diploma e alterações
SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

Decreto-Lei n.º 141/95

14 de junho

Enquadra a sinalização de segurança e saúde. A Portaria n.º 1456-A/95, de 11 de dezembro, estabelece prescrições de colocação e utilização, na sua redação atual.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Decreto-Lei n.º 273/2003

29 de outubro

SST em estaleiros temporários ou móveis: coordenação de segurança, plano de segurança e saúde e responsabilidades dos intervenientes, nos casos previstos no diploma.

Consultar diploma e alterações

Seleção de referências em vigor à data de consulta. A aplicação depende da atividade, das instalações e dos riscos. Consulte sempre a redação atual, as alterações e a regulamentação específica.

05 / NORMAS TÉCNICAS

Boas referências para fazer melhor.

Gestão, saúde mental, risco e sinalização.
Saiba para que serve cada norma.

Uma norma técnica tem um papel diferente de uma lei.

As normas são, em regra, de aplicação voluntária. Um diploma legal pode torná-las obrigatórias. Para Portugal, confirme no IPQ a adoção nacional, a edição, as emendas e eventuais substituições.

O que explica o Instituto Português da Qualidade
ISO 45001

2018 · Emenda 1:2024

Sistema de gestão de SST

Requisitos para organizar a prevenção, definir objetivos, envolver os trabalhadores e melhorar o desempenho de SST. A certificação do sistema mantém-se a par da obrigação de cumprir a legislação aplicável.

Consultar a referência oficial ISO
ISO 45003

2021 · Orientações

Saúde psicológica no trabalho

Orientações para gerir riscos psicossociais num sistema de gestão de SST. Ajuda a olhar para a organização do trabalho, as relações sociais e as condições que influenciam a saúde psicológica.

Consultar a referência oficial ISO
ISO 31000

2018 · Orientações

Gestão do risco

Princípios e orientações gerais para integrar a gestão do risco nas decisões da organização. Não é uma norma de certificação nem substitui a avaliação específica dos riscos profissionais.

Consultar a referência oficial ISO
ISO 7010

2019 · Consultar também as emendas

Sinais de segurança

Referência internacional para símbolos, cores e sinais de segurança registados. A seleção e colocação de sinalização no trabalho devem respeitar a legislação portuguesa aplicável.

Consultar a referência oficial ISO

As referências acima identificam normas internacionais. A designação e a edição adotadas em Portugal devem ser verificadas no catálogo do IPQ. Estas sínteses não reproduzem o texto integral das normas.

Melhorar é um ciclo: PDCA.

Um exemplo prático de melhoria contínua aplicado à Segurança e Saúde no Trabalho.

  1. P

    Planear

    Avaliar riscos e definir medidas, objetivos e responsáveis.

  2. D

    Executar

    Aplicar as medidas e formar as pessoas envolvidas.

  3. C

    Verificar

    Observar o trabalho, acompanhar indicadores e avaliar resultados.

  4. A

    Atuar

    Corrigir falhas e melhorar os procedimentos e o sistema.

06 / LEVAR PARA O DIA A DIA

Da informação à ação.

Abra uma pergunta para encontrar
orientações de consulta rápida.

Antes de começar uma tarefa, o que devo confirmar?
  • Perigos identificados e medidas adequadas à tarefa.
  • Equipamentos, proteções e condições do local.
  • Formação, instruções e autorizações necessárias.
  • Procedimento de emergência e meios para pedir ajuda.

Se as condições mudaram, reveja o trabalho e a avaliação antes de prosseguir.

Princípios de prevenção · Artigo 15.º
Que informação ajuda a organizar a prevenção?

Conforme a atividade e os riscos, organize a avaliação de riscos, o plano de medidas, as instruções, os registos de formação e de verificações de equipamentos. Para produtos perigosos, inclua as fichas de dados de segurança.

Defina responsáveis e prazos e confirme se as medidas funcionam. O conjunto de documentos deve acompanhar o trabalho real.

Atividades dos serviços de SST
Como escolher a proteção individual?

Comece pela avaliação do risco residual. O EPI deve ser adequado ao risco, à pessoa e às condições de utilização, e compatível com outros equipamentos usados em simultâneo.

Assegure informação, formação, ajuste, conservação e substituição. A proteção individual complementa as medidas na origem e a proteção coletiva.

Regras de utilização de EPI
Como articular a segurança com a saúde no trabalho?

A avaliação do posto e das exposições deve apoiar a vigilância da saúde. O médico do trabalho avalia a aptidão e as repercussões do trabalho na saúde.

Queixas relacionadas com a atividade devem ser encaminhadas para avaliação adequada e consideradas na revisão das condições de trabalho, respeitando a confidencialidade dos dados de saúde.

Vigilância da saúde · DGS
E se existir perigo grave e iminente?

Siga as medidas e instruções previamente estabelecidas. Afaste-se da situação de risco e contacte, logo que possível, a chefia ou os responsáveis de segurança.

Comunique imediatamente avarias ou falhas de proteção que possam originar esse perigo. Em emergência real, acione os meios previstos e, quando necessário, o 112.

Obrigações do trabalhador · Artigo 17.º
O que fazer após um acidente ou quase-acidente?

Priorize a assistência às pessoas e a segurança do local. Comunique o ocorrido aos responsáveis, registe os factos e analise as causas para evitar repetições.

Verifique as participações e comunicações legalmente exigidas, conforme o tipo de ocorrência, e reveja as medidas preventivas. A ausência de lesão também pode revelar uma falha importante.

Consultar o regime de SST e as obrigações aplicáveis

07 / ESTAR PREPARADO

A emergência prepara-se antes.

Conhecer o alarme, a evacuação e o ponto de encontro ajuda a agir com segurança. A organização deve definir meios, procedimentos e pessoas com formação.

112Número europeu de emergência
Em caso de emergência real.
  1. 01

    Conheça os procedimentos.

    Saiba como dar o alarme, pedir ajuda e identificar os responsáveis pela emergência.

  2. 02

    Mantenha os percursos livres.

    Saídas, meios de primeira intervenção e ponto de encontro devem permanecer acessíveis.

  3. 03

    Siga as instruções de evacuação.

    Dirija-se ao ponto de encontro definido e aguarde instruções. Evite expor-se a perigos adicionais.

  4. 04

    Treine e melhore.

    Realize os exercícios exigidos pelo regime aplicável e corrija as falhas identificadas. A periodicidade depende das condições do edifício e da utilização.

Referências: artigo 15.º, n.º 9, regulamento técnico de SCIE e contactos de emergência · gov.pt.